Foi quando abri os meus olhos. Foi porquê, abri os olhos. O branco das paredes, a sombra que desenhava os objetos, o resto de cola que restara dos adesivos do teto que antes formavam um céu...tudo tornava-se cada vez mais familiar. O céu era como aquele que tantas vezes reconheci quando era criança. Segundo minha mãe, fui feito sob o olhar de um céu desses. Um céu que acompanhou tantas noites e, agora dele, só restavam pedaços. Porque alguém o desfiguraria? Verdade que as impressões não conversam com todos da mesma forma, mas à mim, aquelas estrelas falaram tanto...a lua, o cometa então, quantas histórias!
Foi porquê abri meus olhos que surgiram tantas imagens e, então, a assimilação delas. Fitei a tua nuca, o desenho do teu pescoço, a constelação de pintas espalhadas pelo pedaço descoberto da tua pele, o desenho do lençol sobre os teus ombros... voltei-me novamente para o branco do teto... quantas cores existiam ali! Meus olhos projetaram o negativo quase completo de um filme. Um filme em que eu escolhi os personagens, o cenário... lembro até de um cheiro... não, esse cheiro era teu... completamente teu. Voltei meus olhos para você e meus braços acompanharam... pareciam ter vontade própria ao desbravar teu corpo suavemente, quase sem toca-lo, para instantes depois,sem graça, cheios de uma coragem inconsequente, enlaçarem tuas costas. Agarraram-na com força, como nunca fariam. E foi porquê abri meus olhos, que senti a tua mão apertar a minha. Tua inspiração profunda aproximou-a do teu peito e expirou, ao mesmo tempo que meus olhos cederam.

Adorei!
ResponderExcluirFico muito feliz que gostou! bjs
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